segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Marcelle Pithon inaugura a série de entrevistas ConverAção

Inaugurando a série “ConversAção – Conversando sobre o que acontece”, passamos a palavra a Marcelle Pithon, gerente do Centro Cultural dos Correios. A instituição agrega em seu espaço a promoção de eventos em áreas diversas como teatro, vídeo, música, artes plásticas, cinema e demais atividades voltadas à integração da população carioca com formas variadas de expressão artística.

Centro Cultural Correios

A primeira exposição ocorreu em 2 de junho de 1992 com a "Exposição Ecológica 92", evento integrante do calendário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente - RIO 92. Entretanto, a inauguração oficial do Centro Cultural Correios ocorreu em agosto de 1993 com a Exposição Mundial de Filatelia - Brasiliana 93. Suas instalações dispostas em 3.480m2 de área reúnem espaços como: Teatro para 200 pessoas, Galeria de Arte, dois pavimentos com dez salas de exposições, Sala de Vídeo, Bistrô e a Praça dos Correios, com espaço ao ar livre. O Centro Cultural Correios, em média anual, recebe um público de 400 mil visitantes e promove cerca de 50 eventos, com atrações variadas como teatro, música, dança, cinema e vídeo, além das exposições de diversos segmentos de arte. Integram seu calendário anual a Mostra Internacional de Cinema de Animação Anima Mundi e o Festival de Cinema Latino-americano CINESUL.


1 - O acesso à cultura no Brasil aumentou nos últimos anos, e os Centros Culturais são em parte responsáveis, pois envolvem no mesmo espaço cultura, gastronomia, entretenimento e serviços, alcançando o público em geral. Como você vê o atual momento da cultura brasileira em relação aos Centros Culturais?

A meu ver, os centros culturais vieram somar-se aos equipamentos culturais já existentes e contribuir decisivamente para o desenvolvimento da cultura no país. A entrada em vigor da lei rouanet foi a forma encontrada pelo governo de destinar parte dos tributos devidos, obrigatoriamente, à promoção cultural. Além disso, na grande maioria dos casos, a implantação de centros culturais serviu para preservar o patrimônio arquitetônico, conservando prédios que, se não tivessem essa destinação, muito provavelmente teriam sido derrubados ou estariam de tal forma degradados que certamente não estariam cumprindo função social alguma.

2 - Como profissional da área, você convive com os diversos aspectos da cultura. Qual a maior dificuldade que você encontra para desenvolver ações culturais? Isto é, qual o obstáculo entre querer realizar e conseguir?

Do meu ponto de vista, seria necessário colocar mais recursos na atividade cultural, considerando o total do investimento realizado como uma ação de marketing institucional muitas vezes mais eficiente do que a própria publicidade. No caso dos correios, por exemplo, o patrocínio cultural divide espaço com o patrocínio esportivo e o patrocínio social. Apesar disso, acredito que ainda temos condições de aumentar o volume de recursos investidos em cultura.

3 - O Centro Cultural sempre nos presenteia com atrações interessantes. Qual o critério de seleção para uma exposição ou atração? Seria possível definir o perfil do Centro Cultural dos Correios em uma palavra? Qual seria?

Tentamos sempre oferecer ao público do centro cultural correios uma programação diversificada e de qualidade.
considerando-se as características do nosso espaço - são no total 11 salas de exposição totalizando cerca de 2.000m² de área, temos o cuidado de agendar várias exposições ao mesmo tempo, reunindo artistas de diferentes segmentos para que as pessoas possam, em um mesmo local, ter contato com variadas produções artísticas.
se tivesse que escolher uma palavra para definir a programação do nosso centro cultural, acho que seria “diversidade”.

4 - E no futuro, o que podemos esperar do Centro Cultural dos Correios? Qual dica você daria a quem quer utilizar o Espaço do Centro Cultural dos Correios?

Esperamos poder continuar a oferecer uma programação cada vez com maior qualidade, ampliando o nº de segmentos culturais abrangidos pelo sistema de patrocínio dos correios, visando a uma maior diversificação. Além disso, tentamos conseguir aumentar o valor do aporte financeiro anual investido na programação dos centros culturais que são próprios da empresa.

5 - O Centro Cultural dos Correios participou do 16º Festival Internacional de Animação do Brasil - Anima Mundi, a exemplo dos anos anteriores. Como é receber um evento tão importante e que se solidifica a cada ano? Quando começou a participação no festival?

Começamos a participar desde a 3ª edição do anima mundi. Estamos, portanto, nessa parceria, há 13 anos. É extremamente gratificante tomar parte de um dos 5 maiores festivais mundiais de animação e acompanhar a evolução da produção de cinema de animação no brasil. Nos primeiros anos, a participação brasileira era sempre muito modesta e representava um percentual muito pequeno em relação à produção internacional. Hoje, se os filmes nacionais não são a maioria, com certeza representam uma parcela significativa da programação. A continuidade na realização do Anima Mundi contribuiu decisivamente para a abertura e formação do mercado profissional desse segmento.

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